A Salvação para Católicos e Protestantes
Por Prof. Carlos Ramalhete
Todo Cristão sabe que a finalidade da Religião é salvar almas. Nisto, Católicos e Protestantes estão de acordo. Mas o que significa ser salvo?
A Salvação para o Protestante
Para o Protestante basta a pessoa se declarar Salva devido sua Fé, sem contudo ser tornada conforme à vontade Divina, sem que seja purificada ou Santificada, e isso é feito por uma aceitação pessoal de Jesus como seu Salvador. Como diz Lutero: Os méritos de Jesus não levam em conta os pecados do indivíduo; a Fé confiante faz com que Deus nos recubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos. O crente diz estar certo da Salvação eterna em qualquer fase da sua vida, desde que mantenha a Fé confiante. Donde o famoso adágio atribuído a Lutero: “Pecco fortiter, sed fortius credo” (Peco intensamente, mas ainda mais intensamente creio)
Que dizer a Respeito?
Não há dúvida, a Escritura ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente concedida aos homens mediante os méritos de Cristo (Romanos 5,8). O homem não pode merecer o perdão, mas ele o aceita contritamente. Contudo, a Escritura ensina também que o perdão concedido por Deus não é mera fórmula jurídica em virtude da qual não nos seria mais levado em conta o pecado (que, apesar de tudo ficaria a contaminar a alma). Na verdade, justificação, segundo as Escrituras, é regeneração (João 3,3-5) (Tito 3,5), elevação à dignidade de filhos de Deus não de nome apenas, mas na realidade (1 João 3,1), de modo a nos tornarmos consortes da natureza Divina (2 Pedro 1,4), capazes de produzir atos que imitem a Santidade do Pai Celeste (Mateus 5,48).
Se, por conseguinte, Deus nos concede uma nova natureza ao nos perdoar as faltas, está claro que não basta crer, e que as obras boas devem pertencer ao programa de Santificação do Cristão; elas se tornam condição indispensável para que alguém consiga a vida eterna (Tiago 2,14-26). Deus não pode deixar de exigir tais obras depois de nos ter concedido o princípio capaz de as produzir.
A Salvação para o Católico
Para o Católico a salvação significa tornar as pessoas conformes à vontade Divina e realmente purificadas e Santificadas, o que é feito pelos Dez Mandamentos de Deus, pelos Sacramentos, pela Oração, Penitência eCaridade. Nós não somos “Salvos” em um determinado momento, simplesmente aceitando Jesus Cristo como nosso Salvador, mas somos justificados em um determinado momento, que cabe a nós Santificar-mos cada vez mais e manter-nos assim na graça de Deus.
Deus nos dá um presente, que é a graça, e infelizmente muitas vezes a jogamos fora. A Graça de Deus não é merecida, mas dada. Ela deve, porém, ser correspondida, e correspondida ao longo de toda a vida. Assim a Salvação é algo que, como dizia São Paulo, “Operamos no temor e no tremor” um Dom gratuito, continuamente aceito e acolhido, ou sucessivamente rejeitado e buscado. Neste sentido a Salvação é um ato contínuo.
Se somos Salvos, esta salvação vem pelo Sacrifício de Cristo na cruz, não pela Ressurreição. Por sua Ressurreição ele nos mostra o que podemos esperar, ele nos mostra o prêmio aos que, como dizia São Paulo,“Chegam ao fim da corrida”. Mas não é pela Ressurreição que somos salvos, e sim pela Cruz.
O Protestante diz que não precisa ver Jesus na Cruz, ele merece toda Glória, todo louvor, pois agora está ao lado do Pai, na Glória, e não mais na Cruz. Que dizer a respeito? Sem sombra de dúvida, Jesus está ao lado do Pai, na Glória mas por ter estado na Cruz, estaremos um dia nós também, queira Deus, na Glória face a face com ele, se aceitar-mos também nossa Cruz, a exemplo dele quando nos disse para tomarmos nossas Cruzes e segui-lo.
Ver o Cristo Ressurecto sem ver o Cristo na Cruz é ver o prêmio sem a corrida, é ver o pagamento sem ver o trabalho, é ver em suma o efeito sem ver como a ele se chega. Não basta crer e aceitar Jesus Cristo como Salvador, é preciso viver a Fé, e vivê-la em Santidade. Daí a exigência dos Mandamentos. Daí os Sacramentos. Daí a moral que a Igreja ensina.
Dizer que crê em Jesus Cristo e será salvo, é continuar vivendo vida injusta ou dissoluta, é mentir à própria consciência. É preciso viver a Santidade, Humildade, Mansidão, Perdão das ofensas, fuga de toda a corrupção; numa palavra, semelhança com Cristo e prática do Sermão das Bem-Aventuranças, que Ele concluiu assim:“Deveis ser perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito” (Mateus 5,11).
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